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Cerezo chora durante entrevista com filha transexual: ‘Medo que vá sofrer’

O ex-jogador de futebol, Toninho Cerezo, se emocionou ao falar da filha transexual Leandra Medeiros Cerezo, conhecida como Lea T, durante uma entrevista para o programa Conversa com Bial, da TV Globo. Durante o bate-papo, tanto ele quanto a modelo lembraram do período de transição e revelação para a família.

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“Eu pensava que Lea ia ser gay e pronto. E não entendia o porquê de ela ser mulher. Será que eu tinha feito algo errado? Num primeiro momento, você imagina que sua filha vai sofrer, é a única coisa que passa na cabeça”, explicou Toninho Cerezo.

“Eu vi uma reportagem dela em que ela dizia que se olhava no espelho e não se sentia bem, e eu me olho e me sinto super bem. Eu imagino ela se olhando e dando essa declaração. Então, mexeu muito comigo”, desabafou o pai da modelo.

Carreira

Lea T ficou famosa na Europa depois de se tornar estrela de uma grife francesa. Além de trabalhar como modelo e estilista, ela também defende a diversidade de gênero. “Eu convoquei todo mundo para contar. Eu tinha que achar um emprego e, na época, não tinha emprego para transexual. O que eu escutava das outras meninas é que eu não teria chance, que eu teria que ser prostituta, então fiquei apavorada”, revelou Lea T, acrescentando que tinha medo que a família não aceitasse.

“Você pensou com a cabeça só sua, porque a sua família não ia te abandonar nunca”, interrompeu o pai da modelo. “O momento que você tem a família do seu lado, tudo fica maravilhoso. Quando você tem um apoio, fica tudo muito mágico”, completou a modelo.

Lea contou ainda que não planejava ser modelo e que foi a única oportunidade para trabalhar e conseguir dinheiro. “Eu não queria ser prostituta, então eu vivi essa realidade. É muito forte você saber que corre o risco de ter que vender seu corpo porque a sociedade não te dá o direito de trabalhar, de ser uma pessoa com a dignidade que você quer ter. Não que quem faça isso não tenha, mas eu passei por esse aperto”, disse.

Transição

Lea conta que sentiu necessidade de fazer a cirurgia de adaptação do órgão sexual. “Eu tinha que fazer. Eu tirei um problema de mim”, comentou. Ela também se irrita quando é questionada sobre a aceitação. “Odeio essa palavra aceitar porque eu não fiz nada de errado. Não é porque ele me respeita que faz ele ser uma pessoa iluminada, uma pessoa que respeita o amor. É isso que falta em muitos pais. Muitas meninas não têm esse apoio”, lamenta. “Eu continuo tentando ser feliz. Eu sou uma pessoa feliz, mas eu luto para ser feliz”, completou.

Fonte:Correio da Bahia.

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